quinta-feira, junho 8

Paradoxos

Quantos papéis sociais são necessários para uma pessoa se perder?
Quantas semi-vidas temos que praticar para que possamos fingir que temos uma vida completa?
Barulho, carros, trânsito, buzina e criança chorando, tudo isso a um só tempo. Tantas coisas que não há espaço para nós mesmos em nossas vidas.
Casa, trabalho,internet, tv, rádio, o jogo, o medo, a violência que nos faz olhar para o lado desconfiados, tudo isso vai sugando uma parte de nós.
Quando nos damos conta do estrago, já é tarde demais: seu pensamento é precedido pela música e seus ideais parecem a cena do último capítulo da novela: você se ferra a vida inteira achando que vai ter um final feliz...
Talvez a angústia, a depressão e outras doenças que sempre existiram tenham encontrado em nosso tempo o ambiente ideal para se manifestar.
Não conseguimos compreender os paradoxos atuais: quanto mais temos, menos sonhos, quanto mais avanços mais problemas, quanto mais comunicação, mais distância existe entre nós, a ponto de nos sentirmos um estranho para nós mesmos.
Chegamos ao ápice da comunicação, e é justamente neste momento que devemos nos silenciar para realmente nos conhecermos.

quarta-feira, maio 24

A revolta madura

Uma passeata organizada no dia 21 de maio denominada 'o dia da dignidade nacional' conseguiu levar milhares de pessoas a Av. Paulista e outras 22 cidades do Brasil para protestar contra a impunidade e a corrrupção que assola o país. Sua divulgação foi exclusivamente feita pela internet, pois que grande empresa midiática de respeito daria espaço para um grupinho de desconhecidos?
Bandeiras, faixas e gritos eram uma constante na manifestação.
Agora uma pergunta: na sua mente apareceu um monte de jovens com as caras pintadas de verde e amarelo?
Pois realmente era o que havia, entre outras coisas, mas com uma pequena diferença: a maioria das pessoas que estavam lá foram jovens nos anos 60. Seus cabelos brancos não se intimidaram em perder um pacato domingo em família para enfrentar duas horas de caminhada numa tarde cinzenta. Mas seus olhares procuravam em vão pessoas mais novas para apoiar.
Quebram-se todos os estereótipos construídos com tanto esmero pela sociedade e amplificados pela mídia: protestos e passeatas são feitos por jovens rebeldes. A revolta dos experientes, que se articularam através de e-mails e sites de relacionamentos como Orkut (de grande uso dos jovens), não causou tanto impacto na mídia, devido os manifestantes não apresentarem o perfil adequado: não eram jovens, não se confrontaram com a polícia, não teve atos de vandalismo e o pior: sem número de mortos para fazer um gráfico bonito. Assim, como eles não representam a realidade desejada, apaguem este devaneio de pessoas senis, que apesar de ter inúmeras experiências ainda não aprenderam a se formatar no padrão globo de qualidade.
Por que a realidade insiste em não se adequar a imagem?
Depois que só possuem três segundos de notícia ainda reclamam...

quarta-feira, maio 10

Sobre Che e Madruga




Circula por aí uma camiseta que, quando admirada à distância, enxerga-se a figura revolucionária de Che Guevara, mas ao ver de perto depara-se com a figura do Seu Madruga, do seriado mexicano Chaves.

As imagens de Che e Madruga, como todo imagem, são passíveis de assumir qualquer sentido. A camiseta bem-humorada conota também o esvaziamento ideológico e contextual de ambas imagens. A imagem pode distorcer infinitamente da realidade, e nota-se hoje como ela não necessariamente possui um correspondente real, concreto.

A sociedade que cultua imagens, dependendo do objetivo a ser alcançado – mercadológico ou moral - extrai ou enxerta significado à elas.

Ao sintetizar toda a essência ideológica e histórica de Che Guevara em sua foto, o risco de se perder a noção total das ideologias de acordo com as mutações dessa imagem, é gigantesco. A imagem de Che, de uma forma muito provavelmente alheia a sua vontade, foi reproduzida incansavelmente, ultrapassando seus ideais, a ponto de suas representações serem mais conhecidas que sua história e seus ideais.

O colunista Brook Larmer da revista Newsweek de julho de 1997, enumerou em seu texto razões que fazem de Guevara uma imagem apta para todo tipo de marketing:
“Ele parece representar, neste mundo consumista, um ideal de pureza, o paradigma do homem honesto, desprendido e em busca de aperfeiçoar sua personalidade. Além disso, morreu jovem, aos 39 anos, era bonito e ficava muito bem com a boina do Exército!”
Essa aura de “pureza”, que toda imagem a ser consumida necessita ter, contrasta e é de maneira conveniente dissociada das idéias políticas de Che.
Che esperava espalhar a revolução socialista, pregava a luta armada para combater o imperialismo, e ironicamente sua imagem é usada como uma opção certeira para o marketing e no máximo, no caso da camiseta, combate o mal-humor.


por Juliana Gonçalaves

terça-feira, maio 2

A televisão da paisagem

Paisagens tropicais, mares de água transparente, o mundo focado em uma imagem provocante, apenas um louco não gostaria de estar nesses lugares. A mídia busca cada vez mais chamar a atenção do telespectador, e por isso usa matérias com imagens exuberantes.

Muitos dos que assistem a televisão, provavelmente nunca estiveram ou estarão nesses ambientes vistos na sala de sua casa. O avanço tecnológico é tamanho que muitas aparelhos - e o modo como as materias são editadas -, nos dão a sensação de estarmos o mais próximo possível da região relatada naquele eletrodoméstico.

Um pedaço do jornalismo trasmite aos interessado o belíssimo mundo das paisagens, através da TV. Quem não fica de boca aberta ao assistir uma imagem de uma praia de águas cristalinas ou o último pedaço inexplorado da amazônia, ainda mais quando a semana foi dura e de muito trabalho.

Todo ser humano tem um lado ocioso que precisa de distração, mas imagens desse gênero excitam a mente dos incapacitados, que estão acostumados a trabalhar e, apenas viajar na onda das emissoras. Fazendo-os acrditar que realmente conhecem algo, sendo que, boa parte que conhecem das culturas é gracas a TV.

Agora, senso crítico para distinguir o cotidiano que não está nas imagens exuberantes, todos temos que possuir, pois a vida é muito distinta das belas paisagens.

por Tiago Ferretti

quarta-feira, março 15

As contradições do caráter humano

Hoje eu gostaria de falar o que mais odeio nas pessoas. São tantas coisas que nem sei por onde começar. Ah, é desprezível notar que as pessoas que enchem a boca para falar que 'odeiam gente falsa' são as primeiras a colocar a máscara nos momentos mais oportunos. Eles se igualam aos hipócritas que falam “minha filha vai casar virgem!”, sendo que a menina é mais rodada que catraca do metrô da Sé.Também adoro ver como as pessoas que se consideram maduras abrem o maior berreiro quando não conseguem algo. Dou muita risada ao ver inúmeros retardados que almejam a fama ou dinheiro fácil se exporem a papéis ridículos, seja na mídia ou na vida real.

A humanidade ainda não evoluiu muito dos animais: me atrevo ao dizer que somos mais parecidos com primatas do que se imagina. Não só geneticamente; nossas semelhanças vão para além dos comportamentos e chegam aos aspectos psicológicos. Quer um exemplo, meu enputecido leitor?Os cientistas condicionam o macaquinho por meio de estímulo e resposta: ele aperta a campainha e ganha em troca uma banana. E o homem? Que tal aquela promoção “junte 350 códigos de barra para ganhar uma linda tigela” ou “assine por 20 anos nossa revista e ganhe a coletânea dos musicais de Dercy Gonçalves”.
Pelo menos o macaco toca a campainha por algo útil.

Eu também tenho verdadeira ojeriza por mulheres que falam com as pessoas como se fossem apresentadoras de programas infantil: 'oi amiguinho, tudo bem com voxê bebê?', Que se vestem como prostitutas e exigem respeito dos pedreiros na rua. Que bebem feito loucas na balada, dão pra deus e o mundo e põe a culpa na cachaça. Que de tanto pensar no corpo acabam por atrofiar o cérebro. Que se acham gordas, sabem que são gordas,mas continuam comendo como gordas. Me desculpe a franqueza, mas se o seu maior sonho for fazer uma lipo, conhecer o Leonardo ou ser igual a Carla Peres, é melhor você rever as prioridades da sua vida, pois desse jeito é melhor se matar.

Para que as mulherzinhas não fiquem com raivinha de mim, vamos falar dos homens. Homens são idiotas por natureza: são seres que sempre dependem de alguém, seja a mãe, a mulher, a vizinha, da prostituta, de outro homem ou de uma cabra. Não sabem viver sozinhos. O desenvolvimento da personalidade acaba nos 12 anos, pois daí em diante os hormônios é que vão orientar suas escolhas, desde a comida até quem ele quer comer. A necessidade de provar para os outros homens que é macho o faz cometer as maiores burradas da vida. O mundo está como está porque desde o início o poder estava concentrado nas mãos dos homens, que por sua vez são governados pela testosterona. As mulheres só não o substituíram por que eles usavam a força. Líderes como Hitler, Bin Laden e Bush são os mais covardes, dissimulados e inconseqüentes, características comuns a todos os homens, que foram apenas potencializados por semelhantes imbecis.

A humanidade é uma merda. Talvez o ato mais corajoso de um homem seja acabar com a sua vida. Mas pensando bem, acho que o suicida, apesar de sensato, é o pior dos covardes, pois tem medo da realidade. É, realmente ele é um imbecil.
Mas quem não é?


por Silvia Seles

terça-feira, agosto 16

Novela ou propaganda?

Enfim, depois de tanta espera, disputa e enrolação - porque não -, o PSDB toma uma decisão e apresenta seu candidato a presidência, o governador paulista Geraldo Alckmin.

Mas ao olhar todo esse processo que se desenrolara nesses meses, uma pergunta surge:

Foi tudo uma interminável novela, culpa da incapacidade tucana de decidir quem seria capaz de derrotar o Lula nas urnas, em outubro; ou uma bela estratégia de marketing que tirou da mídia o presidente que subia nas pesquisas, e colocou diante dos holofotes ambos os presidenciáveis, independente de quem fosse o real candidato?

Mesmo que não fosse essa a intenção inicial, ou mesmo final do PSDB, há de se convir que foi providencial, e veremos qual foi o resultado real dessa ‘propaganda eleitoral gratuita’ quando saírem as próximas pesquisas de intenção de voto.

Quem sabe os tucanos saiam dessa rachando o bico, e sem rachar o partido.